Texto escrito por Vanessa
Hoje, quando você vê a linda paróquia Nossa Senhora de Fátima, na rua dos Canários, talvez não tenha ideia de como tudo começou. Você sabe como era esta igreja? Sabia que a primeira construção foi um barracão? Isso mesmo! Enquanto arrecadávamos dinheiro para construir a igreja que temos hoje, celebrávamos as missas e liturgias nesse barracão, que depois foi demolido, dando lugar à construção de concreto. Mas a história começa antes do barracão.
Estou falando tudo isso porque eu fui uma das primeiras pessoas a acompanhar todo o processo de nascimento da comunidade, que não foi tão comum e, com certeza, foi muito especial. Por isso quero deixar registrado e acessível a todos que queiram saber um pouco mais sobre a nossa comunidade.
Quando eu era criança, minha família e eu íamos às missas da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, no centro de Cotia. Em 1982, começamos a ir às celebrações na “escolinha” atrás da rua da minha casa na rua dos Canários. Não era uma igreja, porém as celebrações eram tão autênticas que em poucos segundos a gente esquecia que estava numa escola. Na verdade, era mais aconchegante, pois eram poucas pessoas.
Lembro-me quando eu tinha 9 anos, eu e meus irmãos, Wilian e Erika, fomos com meu pai ao terreno da igreja, que era somente terra e mato. Meu pai, Tadashi, estava acompanhando a compra do terreno, que na verdade, eram dois terrenos de 250 metros.
Depois lembro que todos os domingos íamos às liturgias na garagem da dona Luzia, ao lado do terreno. Havia somente o altar e algumas cadeiras. Eram poucas pessoas que iam, mas também não cabia muitas.
Enquanto isso, o terreno foi limpo e construído o barracão. O chão era de cimento e as paredes eram de madeira. Era um barracão bem simpático e acolhedor, com bancos de igreja, mas como não era bem fechado, às vezes passávamos um pouco de frio no inverno, mas tudo bem, o calor humano ajudava bastante.
As aulas de catequese e juvenil continuavam sendo na escolinha. Minha primeira comunhão foi no barracão:
Na foto a dona Luzia no microfone e o padre Daniel.
Atrás, da esquerda pra direita: Regiane, dona Justina, eu, Claudimar, Sérgio, Givanildo, Marcos
A primeira comunhão do meu irmão foi na escolinha, em 1989:
Na foto, da esquerda pra direita: eu, Wilian, meu pai Tadashi com meu primo Ricardo no colo e minha mãe Jacira.
Fizemos muitas quermesses e bingos nas casas das pessoas. Os prêmios mais comuns eram um frango e um vinho, além de rodadas valendo dinheiro. Eu ajudava a vender cartelas. Lembro que as mulheres faziam a massa do pastel do zero, ou seja, era muito trabalho, mas elas estavam sempre bem animadas:
Lembro-me também da época em que rezávamos o terço na casa das pessoas. Alguns foram em casa, era sempre muito agradável. Todo ano participávamos da novena também, ótimos encontros para nos prepararmos para a Páscoa.
Este link mostra várias fotos do dia do mutirão e algumas fotos das primeiras missas. Enviado por Rodrigo Paschoal:
Quando a parte de cima foi terminada, as missas passaram a ser na parte superior e tínhamos mais espaço pras aulas, grupo de jovens. Lembro também que as mulheres da comunidade limpavam a igreja toda semana.
Fiz a primeira comunhão, juvenil, crisma na comunidade. Eu também dei aulas de catequese. Comecei com apenas 13 anos, junto com a Rose, Andreia e Elaine. Éramos tão jovens e inexperientes com aulas, mas tínhamos muita boa vontade.
A minha crisma foi na Paróquia Santo Antônio no bairro do Portão:
Um período muito especial para mim foi o grupo de jovens, coordenado pela Anita Bertuol. Começamos em 1991 e tivemos muitos membros. Além de aprofundarmos nossa vivência espiritual, colocamos muito em prática o que aprendemos: visitamos asilos e orfanatos; fizemos retiros espirituais, até alguns membros se tornarem coordenadores de novos grupos de jovens. O meu era no Coimbra mesmo e alguns eram nas escolas, como Pedro Casemiro e República do Peru.
Em 2008 entrei no projeto da Cáritas, na época do padre Vagner. As crianças carentes do bairro tinham aulas variadas todos os dias. Fiquei com as atividades de inglês e português.
Meus pais, Tadashi e Jacira, sempre foram muito ativos. Meu pai foi catequista e ministro da palavra. Ele cuidou da parte financeira também, das organizações das quermesses, tudo. Ele e minha mãe ficaram muitos anos na pastoral do batismo e pastoral do dízimo! Minha mãe faleceu em 2006. Eu, meu pai e minha irmã continuamos na pastoral do dízimo.
Participei da comunidade até 2009, quando me mudei para o Canadá e passei a frequentar as missas daqui. A última vez que estive presente fisicamente na paróquia foi dia 8/4/2018, quando apresentamos meu filho Lucas:
Foram muitas pessoas que colaboraram para a construção da nossa atual Paróquia e que ainda trabalham para mantê-la. Eu não conseguiria colocar todos os nomes aqui, nem colocar todos os fatos em um texto. Por isso este blog pode ser atualizado com a colaboração de mais pessoas.
Um lado bom da pandemia é que as missas passaram a ser online há um ano mais ou menos. Todos os domingos, assisto às missas das 10 da manhã. Tenho tantas opções de missas online, mas meu coração sempre se inclina para as missas do Coimbra, pois esta frase é verdadeira: Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. (Mateus 6:21)

